hoje tudo me parece inexistente.
sinto todas as coisas como se fossem bolas vazias e voláteis
a rebentarem no nada de ser pensado.
não acredito nos meus dias sacrificados nesta ausência.
deixo-me atingir por esta luz que viola
todas as perspectivas que se tem da vida.
a felicidade é um fragmento institivo
capaz de pôr em perigo o equilíbrio emocional.
a felicidade que rasga a dor por instantes
como se fosse um analgésico contra a inexistência.
tenho sentimentos que não se deixam escrever.
são vozes perdidas a desfazerem-se na aragem
quente da tua respiração.
eu tinha pensado que o amor é uma máquina
de projecção de imagens invisuais.
existe muita destruição nesta frase.
posso repetir: o amor é um projector
de infinitos focos de infecção.
é o terrorismo de amarmos o negativo de nós próprios.
não sei.
talvez no avesso sentimental
encontres conforto para o teu sofrimento.
poema de sílvia prata
Publicado por fernando esteves pinto em maio 29, 2009 03:34 PM | TrackBack