março 10, 2008

punta umbría 2008

Cumprida a 3ª edição do encontro de escritores hispano-lusos Palavra Ibérica, Punta Umbría. Destaco o diálogo ininterrupto entre os participantes do encontro: futuros contactos e projectos garantidos. Interessante, também, foi a intervenção de José Mário Silva sobre o tema “Outros tempos para a lírica”. Tema que tinha matéria para ocupar um só encontro: onde está a poética do quotidiano nos nossos dias? José Mário Silva leu-nos um texto baseado num episódio pessoal, parado no trânsito ao volante do seu carro numa cidade (Lisboa), em que a poesia andava por ali a esvoaçar sem ninguém dar por isso. Não são poetas, têm desculpa. Culpam-se os poetas por um verso perdido e aos outros desculpa-se a ignorância de toda a poesia.

Contei uma mentira ao Manuel A. Domingos. Bukowski estava uma noite num bar encostado ao balcão a beber um copo. Uma mulher aproximou-se dele e convidou-o a sentar-se numa mesa. Disse-lhe Bukowski: gosto muito de beber um copo mas não tenho jeito para “entornar” conversa. A mulher insistiu, claro. E o poeta disse um poema sem querer: aonde fica a cama mais próxima?

No quarto de hotel, quando me preparava para dormir quatro horas, o Bukowski de Manteigas bateu à porta. É terrível, este tipo. Fomos parar ao quarto dos Sulscritos. O Pedro Afonso enfiado dentro do guarda-fatos com brincos de perchas pendurados nos óculos. O João Bentes a ensaiar a sua poética e o Miguel Godinho metafísico e profundo na sua insónia. Manuel Domingos fez a reportagem fotográfica.

No Gran Café Nexo leram-se poemas e ouviram-se boas vozes: Diana Almeida (vou contratá-la), Golgona Anghel e Manuel Domingos (aqui defendo o que me diz respeito). Momento alto foi a leitura de António Orihuela.

Tiago Nené, um jovem poeta de Faro (como eu gosto de referir) levou a noite quase toda a tentar ensinar-me a escrever um romance. Sou capaz de lhe fazer a vontade e seguir os seus conselhos: o meu próximo livro seguirá a linha de Paulo Coelho. Assunto: Quando me olho ao espelho só me vejo a mim. Título: Fernando Esteves Pinto decide deixar de escrever.

Sentado ao balcão no Gran Café Nexo… não era o Bukowski… Luís Filipe Cristóvão pensava numa maneira de beber a última cerveja da noite sem ir ao bolso (já não tinha moedas). Não fosse ele editor e livreiro, e sobretudo poeta, assina logo ali um contrato de edição líquida com o barman por um período que leva a beber um copo. Fui testemunha mas não molhei o bico. Proposta do Cristóvão: uma assinatura com dedicatória em troca de uma taça de cerveja. “Pequeña Antologia para el Cuerpo” ganhava assim mais um leitor e lugar de destaque na biblioteca dos poetas da casa.

Manuela Ribeiro, convidada especial do Palavra Ibérica, contou-nos algumas histórias do Correntes D`Escritas. Histórias criadas pela afectividade e emoção dos participantes desde o 1º ano. É também assim que queremos escrever a história do Palavra Ibérica na vida dos nossos autores convidados. Como dizia o José Mário Silva: “ninguém ligava à imagem bela dos estorninhos”. Deixa lá, o espectáculo agora dá-nos outros motivos para a poesia. Mas nós, poetas, continuamos a dar importância a essa palavra que voa e escreve livre.

Nota: estejam atentos a este blogue, onde poderão ver alguns filmes do encontro. Realização e montagem de Adão Contreiras.

Publicado por fernando esteves pinto em março 10, 2008 07:46 PM | TrackBack
Comentários

o que o fernando disse sobre mim é mentira!

só lhe disse como se vende mais dois ou três exemplares:P

PS: Paulo Coelho não! :P

Afixado por: Tiago Nené em março 10, 2008 08:29 PM
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