agosto 28, 2005

raiva

nunca soubeste amar-me
e ali estava todo o fracasso dele dentro daquelas palavras, todas as representações, tudo o que ele sonhara ser forte e emocional e belo e apaixonante, todas as belas histórias de amor, os beijos, as apalpadelas, as agressões, os desentendimentos
O erro foi tu sentires que o amor é a ocupação interior de quem se ama. Nunca soubeste amar-me
tão perto dela que bastaria um movimento de mão para a derrubar, partir-lhe a cara, fechar os olhos e agredi-la até à loucura, mas não, ali estava o Jovem Ibsen, impassível como um porteiro, a sentir a vida emocional dele a ser embrulhada naquela frase, todos os sentimentos a serem despromovidos ao mais baixo nível do amor, e ele num fio de voz a representar a sua culpa, sem nunca perder o olhar dela, a murmurar-lhe como se o silêncio guiasse as palavras dele
cometi muitos erros
a Rita a sentir-se desfalecer, a escorregar no tempo numa memória de revolta, como se o passado viesse ao de cima num fervor de raiva, toda a vida era uma indicação de derrota e perda, cenas e cenas de amor e transgressão, tudo a passar na frente dela numa desordem abominável, a necessidade de captar uma cena que a livrasse da loucura e da desistência, uma espécie de ilusão que a trazia atrelada à vida, uma predisposição para o sofrimento desde que o sofrimento fosse desenvolvido no domínio do amor e do sexo, e para o atordoar ela agredia-o com a sua insolência
vês uma mulher como uma entranha que desejas trucidar
uma boca a abrir e a fechar na direcção dele, como se a maldade manipulasse o propósito da discussão e revelasse toda a insinceridade da relação
Estás a ser horrível
cenas sobrepostas de lutas por todos os motivos, desejava resignar-se a ter de ouvi-la falar de amarguras e desprezo em cada ataque e observá-la com uma sofreguidão interior, a sentir-se inundar de excessiva tolerância, porque era desse modo que o Jovem Ibsen obtinha todo o sofrimento da Rita como um sumo que utilizava para se revitalizar da própria vida, incapaz de enfrentá-la quando ela estava no pico do seu desespero, restava-lhe como protecção e defesa mudar o cenário dos desentendimentos
Deixa-me dizer o que sinto. Nunca me deixaste dizer o que sinto
a Rita ainda a tremer com receio que o Jovem Ibsen se virasse contra ela, a gritar as palavras como se acordasse dum pesadelo, a gritar na cara dele o que silenciara durante anos
o que tu queres numa mulher é a fraqueza que tu aproveitas para os teus teatros. O que tu queres de mim é a minha dor. Sempre te sentiste atraído pelo meu desespero
deixou-se cair de joelhos no chão, vencida pela fraqueza e a sentir um zumbido de passos à volta dela, à espera que o Jovem Ibsen a erguesse do chão pelos cabelos e a empurrasse para cima da cama
é a minha poesia, é a minha poesia
a despegar-lhe o rosto dos joelhos de forma a obrigá-la a olhá-lo nos olhos, a tentar explicar-lhe que tudo o que ele escrevia estava no sofrimento dela, e era natural que assim fosse e que as suas vidas progredissem no sentido de irem produzindo matéria suficiente para se manterem unidos apesar da dor que isso lhes causava

Publicado por fernando esteves pinto em agosto 28, 2005 09:13 PM
Comentários

Caro Silva: tentei escrever-lhe utilizando o seu mail, mas parece-me que o anonimato é a sua toca, quero dizer: o esconderijo dos cobardes. Tenho acompanhado os seus comentários aqui neste espaço e chego à conclusão que a sua motivação está muito próxima da inveja. Desconheço se o sr. Silva também escreve ou mantém um blog. Se for esse o caso, deveria divulgá-lo. Acompanho desde há ano e meio o Escrita Ibérica e considero-o um dos melhores blogs literários. Confirme o sr. mesmo fazendo uma visita no http://www.weblog.com.pt. Se verificar, e excluindo os blogs sobre política, desporto e generalistas, o Escrita Ibérica impõe-se naturalmente num plano privilegiado como blog literário. Se não ficar satisfeito com este facto ( afinal a inveja é uma inquietação que nos empurra para o ridículo ), pesquise no blogspot e sapo e analise a qualidade dos blogs literários. Reparo também que o Sr. Silva faz referência a vários autores com os quais, na sua opinião, o Fernando Pinto se inspira. A ser verdade, o que dirá o Sr. de Rodrigo Guedes de Carvalho em relação ao escritor António Lobo Antunes? E de Cummings em relação ao poeta Al Berto? E para finalizar as comparações, contrariando a ordem de apresentação, o que tem a dizer do universo de Gonçalo M. Tavares em relação a Kafka? Posto isto, quero realçar que o Sr. Silva se sente ridiculamente ( peço desculpa pelo adverbio que lhe cria alergia no cérebro) incomodado com os textos do autor deste blog. Será que o Sr Silva tem produção literária que não consegue fazer chegar a nenhum leitor e por essa razão vem aqui destilar tanta amargura e frustração?

Afixado por: José Morais em agosto 28, 2005 10:38 PM

Caro José Morais,
Tentei escrever-lhe utilizando o seu mail, mas não funciona. Deve ter sido algum engano do servidor, porque sei perfeitamente que o anonimato não é a sua toca. Neste mundo virtual, faz uma grande diferença assinar como Silva ou como José Morais. Assim, toda a gente sabe quem o meu amigo é. Parabéns pela coragem. Vou pôr também um nome próprio na minha identificação, para me juntar ao lote dos bravos que se identificam: João Silva. Pronto, assim já ambos sabemos perfeitamente com quem estamos a falar. Adiante.
Concluir, pelos meus comentários neste espaço, que a minha motivação está próxima da inveja é, parece-me, mais uma prova da iliteracia que aflige o nosso pobre país. Quem compreende o que lê não pode retirar tal conclusão. Que invejarei eu no Pinto? O facto de não saber escrever? O seu carácter de macaqueador de estilos? A capacidade de extorquir dinheiro ao Estado? A frustração de ser um escritor falhado que ninguém conhece? O óbvio ressentimento por ninguém lhe dar o valor que ele julga ter mas que, manifestamente, não tem?
Não mantenho nenhum blog nem tenho produção literária. Lamento. Nisso, sou parecido com o Pinto: também não tem produção literária. É que não se pode chamar literatura a isto... Sou só um estudante de literatura que, já tendo olhado para os outros blogs literários (obrigado pelo maravilhoso conselho) os achou uma boa merda. Enfim, gostos. Prefiro ler bons livros, em vez de blogs "literários", como lhes chama. Esses estão cheios de nacos de "literatura" pueril, desinteressante, cheia de erros ortográficos e de sintaxe (como neste blog, aliás) e, na sua maior parte, todos revelam o ressentimento próprio de quem só consegue tornar públicos os seus textos aqui, porque nenhuma editora no seu juízo perfeito os publicaria.
Sobre os autores de que fala, não tenho nada a dizer. Ou agora estou obrigado a registar todos os plágios que se praticaram em Portugal? Não me parece.

Afixado por: Silva em agosto 29, 2005 02:00 PM

Assim de repente, não estou nada a lobrigar neste blog um pouco que seja dessa "qualidade literária". Aliás, não estou mesmo a ver que exista mais que um só blogue em Portugal que se possa orgulhar de tal qualidade: http://umblogsobrekleist.blogspot.com/
O resto é merda.

Afixado por: Esfinge em agosto 29, 2005 03:25 PM

Bravo, Esfinge. É isso mesmo. Esqueci o http://umblogsobrekleist.blogspot.com/ no meu comentário. E o resto - com este escrita ibérica à cabeça - é mesmo merda.

Afixado por: Silva em agosto 29, 2005 03:32 PM

continuo sem perceber nada do que escreve. mas dá para ver que é uma bela merda. e faça favor de ser educado na resposta hem? nada dos improperios que dirige ao silva a quem ainda por cima devia sinceramente agradecer. parecem-me comentarios bem estruturados, com sagacidade suficiente para serem levados em linha de conta. ah e já agora, para quando a publicaçao do proximo plagio, sem referencia da autoria da capa? so para saber, mais nada...

Afixado por: zz em agosto 29, 2005 03:56 PM

Caro Fernando Esteves Pinto e leitores deste blog, queria pedir desculpa por vos ter maçado com a minha opinião. Claro que eu estou certo mas vocês também têm direito a avaliar a obra em causa e lobrigar o seu valor. Claro que só há um blog literário que vale a pena, e nem preciso de conhecer o resto para saber que é merda. Sou só um estudante de literatura mas sei bem que os blogs ditos literários estão cheios de nacos de "literatura" pueril, desinteressante, cheia de erros ortográficos e de sintaxe e revelam o ressentimento próprio de quem só consegue tornar públicos os seus textos dessa forma, porque nenhuma editora no seu juízo perfeito os publicaria. E isto irrita-me, muito, tanto que fico fora de mim, e falo de mais. Mas não sou parvo nem injusto, e queria pedir a todos desculpa. E não é que eu não tenha razão, na verdade tenho sempre, mas o certo é que só eu me entendo verdadeiramente. Ups, descuidei-me com um advérbio de modo.

Afixado por: Silva em agosto 29, 2005 06:29 PM

Sr Silva: Como estudante de literatura que se gaba de ser, devia saber que os advérbios de modo são uma das grandes características de Eça de Queirós... Que, obviamente o Sr. FEP também imita... O diacho é que também o nosso estimado Eça se inspirou em Machado de Assis and so on, on, on...
Um conselho grátis:dediquem-se a criar, em vez de se dedicarem a destruir!

Afixado por: lobo mau em agosto 29, 2005 07:33 PM

Como é óbvio, o comentário das 6:29 não foi assinado por mim. Constato que as minhas críticas têm feito bastante mossa.
Lobo Mau, eu estou a criar. Quem critica, cria - nem que sejam críticas. Mostre-me um único texto - só peço um - de um nome credível nos estudos literários que diga que os advérbios de modo acabados em mente são "uma das grandes características do Eça". Vá lá procurar. Vá a um Carlos Reis, a uma Isabel Pires de Lima, o que quiser. De certeza que estes especialistas já deram conta que essa é "uma das grandes características" do Eça. Mostre lá isso, que eu estou cheio de curiosidade. E, a seguir, mostre-me uma frase do mestre do calibre de: "o martírio de se compreenderem meticulosamente, fracassava incontrolavelmente".

Afixado por: Silva em agosto 29, 2005 07:52 PM

Encontrei agora esta nota, mas não tem indicação de origem:"Lembremo-nos, por exemplo, do estilema de Eça de Queirós que consiste num determinado sentido veiculado ao diminutivo; ou do uso característico dos advérbios de modo." Pertencerá a um nome credível nos estudos literários? E incluirá os advérbios terminados em mente? Será que usei esta citação no meu estudo de fim de semestre A ordenação de advérbios temporais e aspectuais no português escrito: uma abordagem estruturalizante? Acho que estou a esgotar-me com a análise dos textos do Fernando Esteves Pinto. E obviamente, ups, que o comentário das o7:52 não foi escrito por mim, constato com preocupação que as minhas críticas têm feito bastante mossa, em mim próprio.

Afixado por: silva em agosto 29, 2005 08:39 PM

O comentário das 08:39, como é óbvio, foi assinado por mim.

Afixado por: silva em agosto 29, 2005 08:44 PM

O comentário das o7:52 não foi escrito por mim.

Afixado por: silva em agosto 29, 2005 08:52 PM

o próximo comentário, é a pura verdade, não será escrito por mim.

Afixado por: Silva em agosto 29, 2005 08:54 PM

aaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!

Afixado por: Silva em agosto 29, 2005 08:55 PM

Aprecio imenso esta nova estratégia do Pinto. Imitar-me é, realmente, uma boa ideia por razões de estilo e de profilaxia. De estilo porque, se se dedicar a imitar-me, escreverá muito melhor do que faz agora; de profilaxia porque enquanto me imita não está a escrever coisas sobre gente que está mergulhada em sangue, sémen e pus, a sofrer muito juntamente com grandes nomes da história do teatro. Se é para me imitar, bem podem dar-lhe novo subsídio. O fim desta prosa lamentosa e chorada é coisa que se saúda. Uma questão: será que o Pinto alojou o blog no weblog.com.pt para que, agora, o Paulo Querido lhe faça o favor de o editar? Pinto, para quando um livro editado sem favores?

Afixado por: Silva em agosto 29, 2005 11:21 PM

Não fui eu que escrevi o comentário das 11:21.

Afixado por: silva em agosto 29, 2005 11:41 PM

Bom, já que a verdadeira vocação do Pinto é imitar (como eu já tinha, aliás, previsto) vou eu imitá-lo também. Fiz por esquecer tudo o que aprendi na quarta classe e redigi este texto, que é a continuação desta bela saga da Rita e do jovem Ibsen:
"nunca soubeste mamar-me
disse ele alegremente, e ela olhou para ele bovinamente, como se os olhos dela fossem os de uma vaca barrosã, como se não estivesse mergulhada numa solução de esperma, sangue, lágrimas, pus e urina, como se tudo isto fosse extremamente profundo e não uma série de clichés sem interesse nenhum
o erro foi tu sentires que o amor é a ocupação interior de quem se ama
disse ela magoadamente, e o jovem Ibsen, que estava a escrever uma peça de teatro teatralmente, disse assim
essa merda não faz sentido nenhum, vê-se mesmo que as tuas falas são escritas por um escritor de merda, e diz ela, maquinalmente
olha quem fala
e ele, que só lhe apetecia esmagar-lhe o crânio com uma marreta, tal era a violência das sensasões extremamente profundas que estava a sentir, tropeçou num alguidar que estava cheio de sangue, lágrimas, suor e suco vaginal e foi cair num espelho que tinha sido previamente estilhaçado, pelo que ele se cortou derramando ainda mais sangue sobre o sangue que já lá estava, e nisto a Rita decepa o próprio clítoris e vai fritá-lo em manteiga
põe um bocadinho de açafrão
disse ele culinariamente, sem nunca perder o olhar dela como se o silêncio estivesse silenciosamente a dizer-lhe para estar calado, justamente na altura em que a Rita estava a arquivar um postal bem aconchegado na alma, e juntamente com o postal arrumou na alma mais algum material de escritório: clipes, um agrafador, três resmas de papel almaço
a tua alma parece a papelaria Fernandes
disse o jovem Ibson enquanto coçava os tomates, como se tivesse comichão no escroto, como se a comichão se consubstanciasse em vontade de coçar até fazer sangue e pus e suor e lágrimas, pois ele também chorava do pénis, de tal forma era sensível e profundo, e de repente a Rita disse, vaginalmente,
olha, tenho um esquentamento.

Afixado por: Silva em agosto 30, 2005 12:04 AM

Ó Pinto, o subtítulo do teu blog é: "Literatura, terrorismo social e psicoterapia crítica". Quando é que estás a pensar em pôr cá a literatura?

Afixado por: Silva em agosto 30, 2005 12:07 AM

Estes últimos comentários fui eu que escrevi. É fácil de o perceber, porque são os que mais chateiam o Pinto...

Afixado por: Silva em agosto 30, 2005 12:08 AM

Esperem um pouco que vou tomar os comprimidos. Este comentário fui eu que o escrevi, é fácil de perceber porque é dos que mais me chateiam.

Afixado por: Silva em agosto 30, 2005 12:29 AM

Ó Pinto, és mesmo de lamentar. Se pensas que me chateias imitando-me. Este comentário é mesmo meu.

Afixado por: Silva em agosto 30, 2005 12:31 AM

Bom, isto da imitação tem que se lhe diga. Eu nunca escreveria "és de lamentar". Optaria por um mais correcto "és lamentável". Até para copiar é preciso ter talento, e o Pinto, como me parece evidente, não tem. Mas é divertido vê-lo a esforçar-se. Notem que, depois de eu o ter alertado para os advérbios de modo acabados em "mente", este último texto já não tinha nenhum. Está a aprender. Daqui a 200 anos talvez seja um escritor razoável...

Afixado por: Silva em agosto 30, 2005 12:50 AM

caro fep: estás a colher o que semeaste. durante anos, alimentaste ódios e polémicas estúpidas com toda a gente. E agora todos esses confrontos estão a vir ao de cima. De todo o lado chegam insultos gratuitos, tal qual o que fizeste no passado a outros que não mereciam ser tratados daquela forma. lembro-me p.e. do brilhante vice director do dna com quem decidiste armar-te em parvo. Este é apenas um exemplo. havia mtos mais. Se permites, um conselho: Acaba com o blogue. Será uma questão de tempo até tomares essa decisão, pelo que é melhor fazê-lo já.

Afixado por: ajf em agosto 30, 2005 01:18 AM

isto por aqui anda animado. creio que o debate é estéril. mas
enfim
é assim a nossa praça.

Afixado por: wilson t em agosto 30, 2005 03:25 AM