sentir a luz prender o corpo que desiste de lutar contra a noite.
vejo um corpo nu sentado numa cadeira.
uma cama na vertical como se fosse uma janela.
lençóis de vidro destapam o teu corpo neutro e inimitável.
vamos sentir as palavras no absoluto ilegível da escrita.
respirar o grito da linguagem.
a vida está perto e há demasiado medo.
poema de sílvia prata
Se amas as palavras
tu não podes fugir do meu corpo.
é esse o teu mal
a possibilidade de sofrer por mim.
tudo está escrito: o princípio e o fim.
O meu pensamento desfigurou-se no teu ódio.
poema de sílvia prata
cansei-me de te perder contra as palavras.
o desejo desta casa devora os teus passos quando escreves.
uma linguagem de luz onde o teu corpo incessante e denso.
se disseres silêncio a vida devolve-nos a dor de sentir uma pedra no rosto.
a marca da solidão na tua ferida.
poema de sílvia prata
hoje tudo me parece inexistente.
sinto todas as coisas como se fossem bolas vazias e voláteis
a rebentarem no nada de ser pensado.
não acredito nos meus dias sacrificados nesta ausência.
deixo-me atingir por esta luz que viola
todas as perspectivas que se tem da vida.
a felicidade é um fragmento institivo
capaz de pôr em perigo o equilíbrio emocional.
a felicidade que rasga a dor por instantes
como se fosse um analgésico contra a inexistência.
tenho sentimentos que não se deixam escrever.
são vozes perdidas a desfazerem-se na aragem
quente da tua respiração.
eu tinha pensado que o amor é uma máquina
de projecção de imagens invisuais.
existe muita destruição nesta frase.
posso repetir: o amor é um projector
de infinitos focos de infecção.
é o terrorismo de amarmos o negativo de nós próprios.
não sei.
talvez no avesso sentimental
encontres conforto para o teu sofrimento.
poema de sílvia prata
Autor: Fernando Esteves Pinto
Leituras: Cidália de Brito
Apresentação: José Bivar
Dia 5 de Junho às 21h
Local: Bar Cyti_0 – Largo Pé da Cruz – Faro
Apresentação da colecção Palavra Ibérica (autores de Portugal e de Espanha)
Lisboa: dia 15 Maio na Livraria Pó dos Livros, às 18:30
Porto: dia 16 Maio na Fnac NorteShopping às 18:00
Crematório Sentimental, Golgona Anghel
Os Animais da Cabeça, Rui Dias Simão
Uma Ânfora no Horizonte, Maria do Sameiro Barroso
O Pequeno-almoço de Carla Bruni, Rui Costa
Agência do Medo, Santiago Aguaded Landero
Privado, Fernando Esteves Pinto