Depois da leitura particular da sua própria vida
cada um se debruçou na essência literária que o coração indicava.
Em forma de livro ela sentia que não eram aqueles os seus caminhos.
Palavras brutas e ingenuamente arrependidas.
Verdades que por serem desfocadas,
davam uma péssima fotografia da vida.
Fecharam os livros no limite do sofrimento.
Nunca uma história é uma ponte
de entendimento para o nosso prazer.
Ele deixou a sua alma a marcar uma página.
Tão inconsciente estava no tumulto das palavras
que a razão se enrugou perante a solidão.
Cede-se espaço físico-social por motivos de obsolescência existencial.
Não inclui carácter nem honestidade adquiridos durante a vida.
A identidade é oferta por saturação viciosa da parte do sistema.
Homem de meia idade recusa-se a permanecer num espaço
de existência constantemente posto em causa, como se o tempo
fosse uma viagem que ele tivesse de pagar.
Em troca do seu doméstico destino,
dêem-lhe um deserto com uma fonte de vida no cérebro.
A fotografia compõe-se em três pensamentos.
Em redor da infância há uma mesa
E no centro a olhar para quem lê
revela-se a agressividade de quem pensa.
Os olhares são tristes ou apenas se protegem
do sofrimento das primeiras palavras.
A mãe pensa dizer o que alguém esboçou com violência.
Temos um espaço guerreiro e analfabeto.
O pai julga ocupar o coração blindado do tempo humano.
Vejo-o despedaçar-se pelo caminho do seu próprio pensamento.
Às vezes tenho esta imagem de mundo
dividido em três superfícies que a linguagem do desespero ordena.
O jogo da verdade é uma mesa humanamente distante
e a imagem que compensa a escrita
o retrato da razão profunda.
Os portugueses têm o hábito de falar mal do que gostam (admiração perturbada); e dizer bem do que conhecem mal (uma questão de classe).
Dia 27 de Abril o Sulscrito vai à conquista de Silves. Não para participar na III Bienal de Poesia de Silves, mas para dar uma entrevista a convite do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC).
“O projecto intitula-se "Novas Poéticas em Portugal", e pretende, entre
outras coisas, fazer um levantamento dos grupos, autores, editoras e
revistas de poesia, que existem em Portugal continental, exceptuando Lisboa
e Porto.”
No Teatro del Mar, em Punta Umbría - Huelva, nos dias 30 de Abril, 1,2 e 3 de Maio, terá lugar o XV Encontro de Editores Independentes – EDITA. Este ano a participação portuguesa será a maior de sempre. Responderam ao desafio do Sulscrito a editora Canto Escuro e a editorial Big Ode, que fazem a sua estreia no maior encontro de editores realizado em Espanha. A lista das editoras participantes pode ser consultada no blogue do Sulscrito.