fevereiro 28, 2008

um sistema de relação

Considere-se o caso em que a é igual a um.
Obtém-se a função ípsilon igual a x elevada à vida inteira.
Partindo da convicção que nenhum amor é para sempre
Sendo a o mínimo absoluto do que és capaz de amar
E um uma falha de expressão comum ao tempo
Em que sofrias fechada num quarto
A sentir uma régua de luz com origem sobre o teu rosto
A definir a região inundada do teu espaço
À medida que o tempo ocupa uma parte da cidade
A tua situação representada numa estação de comboios
Onde o esquema da vida se define por perpendiculares
Aos dias cruzados na tua memória
Sendo cada dia um gesto que te posiciona
Em relação a todos os medos
Mentiras de origem abjectas
A proporção de ípsilon na mais estranha irracionalidade
No centro de um jardim onde se passeia geometricamente
Apenas com o pensamento intimamente ligado
Por símbolos de circunferência e dimensões harmoniosas
Comparando o valor da vida à mais bela arquitectura
Da experiência e da perda
Um processo prático desenvolvido no laboratório
Das horas mais simples e gráficas
Ordenadas de uma forma circular
No teu caso um valor compreendido
Entre duas questões humanas
Por comparação do que foi destruído
Pois há uma maior concentração de tristeza nos teus olhos
Se designarmos por sofrimento algumas atitudes provocadas por um
Se traçarmos duas rectas de amor paralelas à desigualdade de amar
E que passem pelos meses intuitivamente felizes
Nesse quarto classificado de nuvens negras
Onde a tua vida é agora inferior à média da felicidade
Se concluirmos que o estado de ser feliz é um ponto diário
Que varia de predominância e influência
Nos tempos nulos condenados e negativos
Na figura mínima encostada ao balcão do álcool
Uma noite de cubos de gelo e o que uma bebida especial
Servida à mistura com a estratégia das palavras fez dos teus planos
Calcula agora o valor referente aos lucros do amor e das promessas
Introduz as marcas do teu corpo e obténs as medidas do teu prejuízo
Define o tempo correspondente a cada acto de amor
Seleccionando o menu da tua memória
E tens uma lista que confirma o historial da tua personalidade
Para que função o problema x tem significado
Se o volume da tua casa tem todas as janelas fechadas?
E o teu corpo é um fio de comprimento que mede a solidão dos dias
Se os teus braços já não traçam uma recta de prazer abaixo da cintura
Se o teu sexo é um foco distante que se fecha em curva
E não há intersecção nem arco entre dois corpos
Considera as arestas da tua vida propriedade de defesa
Uma estimativa do tempo ao fim do qual tudo se perde
Tens deste modo um amor protagonizado pelo desespero
Sujeito às regras da obediência e da ilusão.

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fevereiro 26, 2008

ler

Apanhado na rede. O sexo ainda mexe. Aqui.

Publicado por fernando esteves pinto em 11:22 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 24, 2008

conversas ao balcão

Apanhado na rede. Poesia ao balcão da noite.

Publicado por fernando esteves pinto em 03:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 23, 2008

aqui ao lado

Apanhado na rede: o blogue de Uberto stabile e notícia sobre as Correntes d`Escritas.

Publicado por fernando esteves pinto em 12:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 17, 2008

PALAVRA IBÉRICA 2008

III Encontro Hispano-luso de Escritores
Punta Umbría 7 e 8 de março de 2008

Sexta Feira - 7 de Março

19:00h. Sala Polivalente

Inauguração do III Encontro hispano-luso de Escritores PALAVRA IBÉRICA

Antonia Hernández Galloso (Vereadora da Cultura do Ayuntamiento de Punta Umbría)

José Carlos Barros (Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Vila Real de Sto. António)

Fernando Esteves Pinto (Círculo Literário do Algarve “Sulscrito”; Co-coordenador Palavra Ibérica)

Uberto Stabile (Coordenador do Encontro hispano-luso de Escritores Palavra Ibérica)

19:30h. Sala Polivalente

Acto de entrega e apresentação dos Prémios Internacionais de Poesia Palavra Ibérica 2007

“El sitio justo” de Rafael Camarasa (Valencia)

“Sobre as imagens” de Amadeu Baptista (Viseu)

20:30h. Sala Polivalente

Cara a cara, verso a verso: outros tempos para a lírica.

José Mário Silva (Lisboa)
Manuel Moya (Fuenteheridos, Huelva)

21:30h. Sala de Exposições do Teatro del Mar

Inauguração das exposições fotográficas:

Paula Ferro (Tavira)
Angeles Santotomás (Huelva)

22:30h. Gran Café Nexo

Eladio Orta (Ayamonte)
Golgona Anghel (Lisboa)
Elisa York (Sevilla)
Tiago Nené (Faro)
Manuel A. Domingos (Manteigas)
Miguel Godinho (Vila Real de Sto. António)

SÁBADO 8 de Março

11:30h. Sala Polivalente
Apresentação do livro “Lo que cayó del Conquero” (Antologia de Narradores Onubenses”

Apresentam:
Marcos Gualda
Uberto Stabile

Intervenções de: Rafael Delgado
Francis Vaz
Manuel Garrido Palacios
Manuel Moya

13.00h.
Cara a cara, verso a verso: espaços para a poesia

Manuela Ribeiro (Directora do Encontro “Correntes d'Escritas” de Póvoa de Varzim, Portugal)

Antonio Orihuela (Director do encontro “Voces del Extremo” de Moguer, España)

18:00h. Sala Polivalente

Apresentação dos livros e recitais poéticos dos autores da colecção Palavra Ibérica

“Las moradas inútiles”de José Carlos Barros (Vila Real de Sto. António)
“Só mais uma vez” de Uberto Stabile (Valencia)
“Pequeña antología para el cuerpo” de Luis Filipe Cristóvão (Torres Vedras)

20.00h. Sala Polivalente

No feminino plural

Margarida Vale de Gato (Lisboa)
Josefa Virella (Huelva)
Ana Mafalda Leite (Moçambique)
María Gómez (Isla Cristina)
Diana Almeida (Lisboa)
Rosario Pérez Cabaña (Sevilla)

22:30h. Gran Café Nexo

Pedro Afonso (Faro)
José Varós (Granada)
João Bentes (Faro)
Carmen Camacho (Jaén).
Eduardo White (Moçambique)
Antonio Orihuela (Moguer)

Publicado por fernando esteves pinto em 11:00 PM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 09, 2008

Cadeia literária

A cadeia literária consiste numa série de movimentações e interesses que tem como principal preocupação garantir a vida dos livros. Do autor ao leitor, o processo de divulgação e defesa do livro é estruturado ao nível das desigualdades comerciais, impostas e a coberto do estatuto cultural do autor. Ganham aqueles livros que nascem com a capa virada para o negócio.

São vários os agentes responsáveis que compõe uma cadeia literária. Cada um à sua maneira cumprem a parte que lhes cabe para que o objecto livro tenha o seu lugar no espaço público.

Escritores: bem feita a análise, as semelhanças e as diferenças entre eles não requerem muita atenção e profundidade. Produzem as suas obras literárias consoante a capacidade intelectual que consideram hábil durante o acto de criação. Nem sempre este pormenor (a auto-consideração de que estão a criar uma obra literária importante) é um indicador consciente do sucesso que desejam alcançar. O maior perigo que podemos sentir em relação a um escritor surge do facto de a leitura do seu livro não corresponder em prazer ao sacrifício do seu custo. Mas isso é um risco subjectivo. Há escritores e leitores que convivem bem na mesma teia intelectual. Comercialmente, a excelência e qualidade literárias de uma obra vale o mesmo preço que um livro medíocre e frágil. Bons e maus escritores afinam pela mesma tabela. Ninguém se pode queixar. O injusto insucesso de que muitos autores sofrem, ou o contrário disso, é uma bala perdida entre os leitores.

Editores: tudo acontece e tudo acaba com eles. São o nascimento e a morte do livro. A avaliar por uma determinada espécie de editores, será injusto atribuirmos a má qualidade de uma obra ao seu autor. O fracasso dum livro tem parecenças com os critérios de quem o editou. Isto numa perspectiva negativa, que é o que importa agora. Neste caso, a culpa é uma sensação passional. Para evitar fracassos comerciais futuros, o editor desprende-se do impulso primordial que o levou a decidir-se pela edição da obra e abandona o autor às regras da qualidade discutível do mercado. Por outro lado, o sucesso duma obra editada reparte o prémio com a visão qualificada do editor por personalidades cuja imagem fora criada à margem dos cenários da literatura. Chama-se a isto colocar a ratoeira onde se sabe que o pássaro vai poisar. O editor defende esta prática como um objectivo de activação de contas, injecção comercial, ou ainda como um acto de autonomizar um serviço cultural à custa de autores economicamente vantajosos. Seja como for, temos assim um livro transformado em caixa registadora.

Críticos: peneiras intelectuais com vários graus de obsessão pelo livro recentemente editado. A principal ferramenta que utilizam na destrinça duma obra é os diversos filtros de exigência com os quais coam as palavras dos outros. Há os que se perdem em artifícios filosóficos no vácuo de obras tão leves e fúteis, como os há que ficam agarrados ao caroço da história porque o assunto do livro os puxa para a obscuridade da mensagem crítica. De um modo muito particular os críticos são a segunda consciência dos autores. Arriscam análises que só não pecam por serem disparatadas porque em literatura, venha o que vier, se o que é escrito não fizer sentido ao autor, fará sentido ao livro; se nem uma coisa nem outra, que seja o leitor também crítico do crítico.

Chegados a este ponto da situação importa fazer um breve balanço nesta cadeia literária: se o registo de nascimento de um livro é da responsabilidade do seu autor, o baptizo é obra do editor, cabendo ao crítico a extrema-unção, se for caso disso.

Leitor: o último elemento para quem o objecto livro é destinado. Isto se em vez dum leitor o livro não vá encontrar sossego na prateleira mais alta e mais funda em qualquer lugar. Ignorar um livro é uma forma de decoração, isto é, um livro que não seja lido traz as suas vantagens decorativas. É outra forma de ler o livro por fora. É certo que, se a leitura não estivesse tão dependente do tempo interior do leitor, o livro cumpria mais eficazmente a sua função. Porque ler começa por ser um murmúrio visual. Um murmúrio que sobe de tom e se transforma em imagem e acontecimento, todos os sentidos do leitor num único coro, uma orquestra mental, acção. Mas isso não é para todos. Muitos são os maestros da incapacidade literária e poucos os livros que soam bem.

textos de biva

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fevereiro 03, 2008

escrita

Escrever poesia é como nadar dentro dum aquário.

Publicado por fernando esteves pinto em 08:49 AM | Comentários (3) | TrackBack

fevereiro 01, 2008

a louça suja

Massajas a louça suja
como quem mexe num bordão para o excitar
deixando-me firme só de olhar
queres nos lábios ou lá em baixo, meu tesouro?
era aqui mesmo enquanto esfregas
os restos dos pratos oleados do peixe frito
nas mãos ocupadas de coisas insignificantes
sepulta-o enquanto a água quente cai
e grita por mais
eu estou cá é para te auxiliar

poema de miguel godinho

Publicado por fernando esteves pinto em 06:56 PM | Comentários (0) | TrackBack