abril 02, 2005

palavra que escrevo

As nossas palavras pertencem ao tempo que se interrompeu aí nessa luz do sul. Falámos disso. Falámos do meu medo de mudar um dia. O sofrimento. Fui eu que escolhi e ainda não senti o sofrimento. Tenho as palavras para me sentir bem. E tu? Eu imagino. Sempre que o silêncio das tuas palavras nos meus pensamentos.
Eu sei o que nos aconteceu. O medo de errar. Agora não, esse medo não existe. Também a culpa de eu fazer sofrer alguém. Agora não, essa culpa não existe.
Os meus olhos não têm mar. passeei pelos lugares da minha infância, percorri todas as praias desertas. O dia tinha sol. E eu parecia triste nessa felicidade. Agora tu trazes o mar para os meus olhos. E vens como uma onda. Espero.
Tu chamas-te palavra. Palavra que escrevo...

amaste, actos em palavras, palavras de sentidos sonhados, autópsia escrita. depois há o silêncio. o momento requer o silêncio habitual das palavras que nunca passam do papel.

Publicado por fernando esteves pinto em abril 2, 2005 11:56 AM
Comentários

há muito, muito tempo que cá não vinha. E só agora vejo o que tenho perdido.
beijinhos

Afixado por: softy susana em abril 3, 2005 07:37 PM

entre as palavras e o silêncio existe um tempo. o que pertence ao respirar. e no respirar nenhum tempo. é o respirar o assento do silêncio, a entoação do sentir que o preenche. enquanto a palavra que não o silêncio que sim porque se respira e se sente.
é assim. uma condição. a presença reduzida à sua essencialidade, despida, e não voz, não calor que emana e rompe, corrompe, sufoca e se consome no espraiar do silêncio que segue, porque nunca a lingua compondo um sentido para existir numa infinita sequência de letras, rabiscos, fragmentos de lucidez ou senão, só estar assim, apertando entre os dedos de duas mãos a verdade simples.

Afixado por: a. em abril 15, 2005 10:22 PM